No segundo domingo do mês de março de 2025 será realizado o lançamento oficial da Campanha da Fraternidade 2025 – a cada ano, os bispos do Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), acolhendo as sugestões vindas dos regionais, dos organismos do “Povo de Deus”, das ordens e congregações religiosas e dos fiéis leigos e leigas, escolhem um tema e um lema para a Campanha da Fraternidade, com o objetivo de chamar a atenção sobre uma situação que mereça a reflexão e a tomada de atitudes em prol de todos. Este ano foi escolhido o tema “Fraternidade e Ecologia Integral” e o lema “Deus viu que tudo era muito bom” (Gn 1,31).
É importante registrar que, além da importância do tema por si só, há várias outras motivações para a escolha: Em 2025 o “Cântico das Criaturas” de São Francisco de Assis completa 800 (oitocentos) anos; neste ano a publicação da Carta Encíclica “Laudato Si” chega aos 10 (dez) anos; completam-se 10 (dez) anos da criação da Rede Eclesial PanAmazônica (REPAM); temos ainda a realização da COP 30 em Belém (PA), a primeira na Amazônia, e a recente publicação da “Exortação Apostólica Laudate Deum”, um olhar complexo e integral sobre a crise climática. Assim, a Comissão Episcopal Especial para a Mineração e a Ecologia Integral sugeriu e a CNBB aceitou a escolha do tema e do lema deste ano.
É interessante observar que a Ecologia é a questão mais tratada pelas Campanhas da Fraternidade ao longo dos seus 61 anos de existência, sendo que 8 delas, de alguma forma, abordaram essa temática: em 1979 o tema foi ‘Por um mundo mais humano: Preserve o que é de todos’; em 1986 ‘Fraternidade e a Terra: Terra de Deus, terra de irmãos’; em 2002 ‘Fraternidade e povos indígenas: Por uma terra sem males’; em 2004 ‘Fraternidade e água: Água, fonte de vida’; em 2007 ‘Fraternidade e Amazônia: vida e missão neste chão’; em 2011 ‘Fraternidade e a vida no planeta: A Criação geme em dores de parto’; em 2016 ‘Casa comum, nossa responsabilidade’; e em 2017 ‘Fraternidade: Biomas brasileiros e defesa da vida’.
Neste ano a Campanha da Fraternidade aborda a temática ambiental tendo o ‘objetivo geral’ de “promover, em espírito quaresmal e em tempos de urgente crise socioambiental, um processo de conversão integral, ouvindo o grito dos pobres e da Terra”, lembrando que “Estamos no decênio decisivo para o planeta! Ou mudamos, convertemo-nos, ou provocaremos com nossas atitudes individuais e coletivas um colapso planetário. Já estamos experimentando seu prenúncio nas grandes catástrofes que assolam o nosso país. E não existe planeta reserva! Só temos este! E, embora ele viva sem nós, nós não vivemos sem ele. Ainda há tempo, mas o tempo é agora! É preciso urgente conversão ecológica: passar da lógica extrativista, que contempla a Terra como um reservatório sem fim de recursos, donde podemos retirar tudo aquilo que quisermos, como quisermos e quanto quisermos, para uma lógica do cuidado”.
Portanto, a Ecologia reaparece como “Ecologia Integral”, conceito tão caro ao Papa Francisco e muito importante no seu projeto de um Novo Humanismo Integral e Solidário, cujas bases são: Amizade Social, tratada na CF 2024; Educação, tratada na CF 2022 e no Pacto Educativo Global; Diálogo, tratado na CF 2021; Misericórdia ou Compaixão, tratada na CF 2020. E a Ecologia Integral é também espiritual: todos os elementos materiais são bons se forem orientados para a salvação dos seres humanos e de todas as criaturas.
No cartaz da Campanha da Fraternidade 2025, de autoria de Paulo Augusto Cruz, da Assessoria de Comunicação da CNBB, estão representados os seguintes elementos: São Francisco de Assis, em destaque, representa o homem novo que viveu uma experiência com o amor de Deus, em Jesus crucificado, e reconciliou–se com Deus, com os irmãos e irmãs e com toda a criação através do “Cântico das Criaturas”, composto por ele há 800 anos; a cruz, no centro, é um elemento importante na espiritualidade quaresmal e franciscana que recorda a experiência do “Irmão de Assis” com o crucifixo da Igreja de São Damião, onde Francisco ouviu o próprio Cristo que falava com ele e o enviava para reconstruir a sua Igreja; a natureza representada pela araucária, ipê amarelo, igarapé, mandacaru, onça pintada e araras canindés, elementos da fauna e da flora brasileiras que ao invés de serem exploradas de forma predatória precisam ser cuidadas e integradas pelo ser humano, chamado por Deus a ser o guarda e o cuidador de toda a Criação; as cidades, com seus prédios e favelas refletem o Brasil a cada dia mais urbano, onde se aglomeram verdadeiras multidões num estilo de vida distante da natureza e altamente prejudicial à vida; a colagem como uma escolha artística e simbólica que possibilita unir elementos diferentes em uma única composição e reflete a diversidade e a interligação entre tudo o que existe, entre toda a Criação, faz referência à “Ecologia Integral”, onde todos os aspectos da vida (espiritual, social, ambiental e cultural) são considerados e valorizados.
Para completar, a Oração da Campanha da Fraternidade de 2025 é um resumo orante e suplicante a Deus daquilo que se deseja com a campanha e, junto ao cartaz, é o subsídio mais popular e que alcança maior público durante a sua realização – o padre Jean Poul Hansen, secretário executivo de Campanhas da CNBB, salienta: “Desejamos que ela alcance também os céus e nos obtenha a graça do arrependimento e da conversão integral”.
Por tudo isso, fica a sugestão: acesse o sítio eletrônico da CNBB (www.cnbb.org.br) ou diretamente a página da Campanha da Fraternidade 2025 (https://campanhas.cnbb.org.br/campanha/campanha-da-fraternidade-2025), veja todos os detalhes e participe desse importante trabalho de reflexão (e ação) para buscarmos a “Ecologia Integral”. Até breve!